quinta-feira, 16 de outubro de 2008

The Open, Giorgio Agamben, Edição da Stanford Un. Press, Trad Kevin Atell (ótima).

Do ponto de partida, a iluminura do Talmude medieval que mostra o banquete no paraíso, em que homens com cabeça de animaios ceiam à mesa, até o último estágio - os läger e os campos de morte do século XX - a distinção ente homem e animal funciona como um campo privilegiada para a articulação do espírito: metafísica, imaginação, religiãop, tudo isto em jogo na possiblidade ou impossibilidade de distinguir o homem dos outros animais. Também a anecessidade de se utilizar talvez uma falsa raiz filológica, o animal como aquele que tem animus, animado: quanta possibilidade de ruptura religiosa em imaginar o homem como não-animal, não-animado/não-criatura, mas como algo que vai além desta parco limite de criatura.

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Talvez o artigo central do livro seja o que se refere à "dignitas" humana, ao lugar do homem na hierarquia dos seres: mas o homem não possuiu "dignitas", não tem ranque, pois tem a capacidade de transitar entre o humano e o divino. Sua substância é amleável, como se tivesse retido a argila que lhe formou. Se esta substância e posição são maleáveis, aquilo que define o homem é mesmo sua capacidade de dizer o que é e o que não é humano: antropomorfo, com a aparência humana; também "homem" como a máquina cultural que estabelece o sentido de humano.

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Nesta fração, a fratura constante da pré-historia e dapós-história [inspira cuidado e desconfiança a forma mais ou menos pacífica que Agamben aceita uma pós-hiostória, mesmo que a referência seja essencialmente uma concordância meio irônica com Kojève]. A fratura: os momentos em que a distinção entre humano e animal não é possível, e também o limite da discussão. O humano é necessariamente aquilo que está na iminência de se tronar animal e vice-e-versa. É esta transitividade, que Agamben apresenta como a aexperiência edênica, o cognitio experimentalis, o experimento de conhecer, de nomear, que cerca o trauma do reconhecimento e anulação do outro. A possibilidade do persa, do turco, do índio, do negro, do Judeu nos momentos diversos do Ocidente serem iguais ou inferiores ocorre devido a esta fratura. O campo de extermínio torna-se então algo ainda mais radical do que um experimento de bio-poder, e toca no momento edênico, no experimento fundamental do humano de determinar o que é animal e o que não é. Uma máquina edênica, que permite apagar os limites ente homens e animais. O que obviamente é uma imagem terrível, ainda que cheia de ironia, como de resto todo o livro. Deveríamos nos perguntar até que ponto O aberto é um livro anti-utópico (mais que anti-teleológico??) e até que ponto há a postrua Agambeana de pensar as aporias.

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A contribuição de Uexküll: a idéia de Umwelt, e aqui abandonamos a fratura homem x animal para entrar no território do puro inumano. Não espaço e tempo kantianos, mas a idéia de que espaço e tempo variam para cada ser de acordo como os "marcadores" de seu meio-ambiente.

Há 2 tópicos importantes: primeiro, a suposição de que o espaço-tempo (e os "marcadores", e o "sentido de mundo") de um ser não são cognoscíveis para outro ser. O exemplo dda teia da aranha, perfeita para capturar a mosca (o que suporia uma 'experiência da mosca" por parte de inumerácveis gerações de aranhas), mas que é perfeita exatamente por ser invisível para msocas. Mosca e aranha têm sentidos de mundo essencialmente distintos, mas se comunicam funcionalmente neste momento fatal. Nas palavras de Agamben "a teia expressa a coincidência paradoxal desta cegueira recíproca". Mas há um aspecto um pouco funesto nesta imagem: o encontrro destas cegueiras se dá de forma catastrófica para uma das partes. Como índios e espanhóis, ou homens e mulheres.

O segundo tópico se refere a este "sentido do mundo": o mundo, e o espaço, e o tempo de um carrapato são os 3 marcadores ambientais que reconhece: a sensação de calor, seu sentido de tato, seu olfato. Carrapatos só percebem ou se importam com determinaods temperaturta, toque, cheiro. Uexküll propõe que a existência do carrapato se confunde com estes marcadores específicos, ele é, possivelmente, estes marcadores. O carrapator seria uma máquina de reconhecer estas sensações. Se isto a princípio é válido para a relação de todo animal com seu próprio ambiente, quais seriam os marcadores do homem, uma máquina de reconhecer o quê? Se há muito tempo já não basta a si este universo biológico?

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Na referência a Heidegger, que então estabelece uma hierarquia das criaturas e concede ao homem uma dignitas específica, a tentativa de resolução do que seria afinal o homem. Se o inanimado é sem-mundo, o animal pobre de mundo e o homem é formador de mundo, é a partir do estatuto específico do animal que é possível elaborar tanto humanidade quanto animalidade.

O animal como o ser que embora participe do mundo, ou seja, do ambiente excitante e excitável da matéria histórica, não compreende a natureza específica da natureza [... boa ou má construção a natureza específica da natureza?], a tensão entre velado e desvelado, a alethea grega, que é o ponto de partida do humano. O animal é o que pertence ao fechado, é, usando a imagem de Heidegger, a cotovia que no instante mesmo em que se ergue e canta ao sol perde tanto canto quanto sol. Estes mistérios e o limite telúrico do conhecimento que eles encerram são o espaço e o ambiente do homem.

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