Em O Idiota a cnfissão tem um papel importante. Ela pontua a narrativa, estabelece suas seções: a confissão dos "malandros" na casa de Natassia Filípovna e mais tarde a confissão de Ipolit. Há uma certa confusão e su8jeira dostoievskiana na função destes episodios, mas ele nunca foi exatamente afeito a uma estrutura cristalina. A pergunta que cabe aqui é? por que a confissão do pecado é um tipo de paixão, assim como o perdão?
Na confissão de Ipolit, com a narrativa já bastante avançada, a relação confissão-perdão fica bem desenhada. Ipolit, o tuberculoso às portas da morte que decide se suicidar lê para uma platéia a carta em que apresenta suas razões e seu desespero. Espera ser perdoado de seu suicídio, mas acima de tudo espera ser perdoado em abstrato, ser perdoado de ter vivido e de ser homem. Algo ainda mais radical talvez, e aí começamos a ver o toque de gênio de Dostoiévski, ser perdoado de não ser um santo ou um messias como Mishikin.
A confissão não se dá propriamente por um sentimento de culpa, mas por um melancólico sentimento de fracasso - por outro lado, isso talvez seja tammbém culpa. Os homens que falharam em cumprir suas possibilidades, ou Natassia Filípovna, que fracassa em ser uma mulher pura, ou Mishikin capturado entre todos estes fracassos com sua candura e ingenuidade. O fgracasso geral desses personagens em cumprrem seu potencial e felicicdade. Este desespero do aperto, de ter fracassado vital e eticamente, leva à confissão. Não há culpa no sentido que a maioria deles, com excessão talverz de Natássia e de Rogojn, os dois anjos caídos, não tem a menor consciência de no que exatamente fracassaram. Sua miséira é um dom ao leitor, mas eles próprios não a percebem, embora vivenciem este desespero dostoievskiano de se estar afastado da graça.
Natássia, por esse prisma, é a personagem mais interessante da trama. Foi "m,anchada" por uma espécie de amancebamento forçadfo com um homem rico. Mais tarde, quando sai da província a que ele a ahavia preso para viver na capital, vai tornar-se de mulher-presa, espécie de puro objeto de uso sexual, em mulher-predadora, aquela que provoca escândalos e tem uma corte de de cretinos ao seu redor. É difícil levar a sério a esta altura da nossa história a noção de pureza, de mulher impura como aquela que manteve relção fora do casamento. No caso de Natássia isto, no entanto, ganha uma outra dimensão quando cai a ficha de que ela foi sucessivamente estuprada ao longo dos anos. Este grande desastre é tornado uma espécie de pecado: a vírtima passa a ser culpada - e sente-se culpada - pelo mal que lhe foi imposto. De novo a palavra culpá não se aplica: é um mundo terrível que torna Natassia impura, não há culpa, a não ser em uma visão tribal da lei divina; mas ainda assim há o veto às possibilidades vitais de grandeza, ou de santidade talvez na ética meio alucinada com que Dostiévski confronta seus personagens. Natassia foi tornada impura, mas emboras não tenha responsabilidade nenhuma por isso, é, ainda assim, impura. Esta espécie de essencialismop em que a substância parece ser uma coisa tão poderosa que aterra até mesmo a ideia de transitório: você é o que é agora, e isto toma sua substância a pionto de obliterar suas ciscunstâncias e possibilidades.
Esta substância do mal todo-poderosa é o que obriga à confissão, mas é também o que impede o perdão. Natássia, que tem consciência profunda de que mesmo tendo sido perdida, é perdida, está fora da esfera do perdão e da felicidade, mesmo nas mãos de um messias torto como Mishikin. Sua esfera, como de resto a de todos os outros personagens, é o desespero, esta queda da graça que Dostoiévski tornou o leitmotiv "sério" (porque haverá também aqueles ridículos e gozosos) das suas narrativas. Um homem irremissível é talvez uma antecipação de Kafka("Ah sim, caro amigo, há salvação de sobra no universo, mas não para nós", ou algo assim que Max Brod relata). Mas, ao contrário de Kafka, que via nesta impossibilidade de remissão uma espécie de absoluto humano - um ponto de inflexão em que o humano surgia mais puro, mais cru, mas também indestrutível exatamente por não contar mais com o divino, Dostoiévski vê apenas esterilidade. O fato do perdão não ser possível - apesar de desejado, apesar do mal ser reconhecido, apesar da confissão ser praticada - é como um sinal da ira divina, injusta aqui cojmo a condição humana.
Na confissão de Ipolit, com a narrativa já bastante avançada, a relação confissão-perdão fica bem desenhada. Ipolit, o tuberculoso às portas da morte que decide se suicidar lê para uma platéia a carta em que apresenta suas razões e seu desespero. Espera ser perdoado de seu suicídio, mas acima de tudo espera ser perdoado em abstrato, ser perdoado de ter vivido e de ser homem. Algo ainda mais radical talvez, e aí começamos a ver o toque de gênio de Dostoiévski, ser perdoado de não ser um santo ou um messias como Mishikin.
A confissão não se dá propriamente por um sentimento de culpa, mas por um melancólico sentimento de fracasso - por outro lado, isso talvez seja tammbém culpa. Os homens que falharam em cumprir suas possibilidades, ou Natassia Filípovna, que fracassa em ser uma mulher pura, ou Mishikin capturado entre todos estes fracassos com sua candura e ingenuidade. O fgracasso geral desses personagens em cumprrem seu potencial e felicicdade. Este desespero do aperto, de ter fracassado vital e eticamente, leva à confissão. Não há culpa no sentido que a maioria deles, com excessão talverz de Natássia e de Rogojn, os dois anjos caídos, não tem a menor consciência de no que exatamente fracassaram. Sua miséira é um dom ao leitor, mas eles próprios não a percebem, embora vivenciem este desespero dostoievskiano de se estar afastado da graça.
Natássia, por esse prisma, é a personagem mais interessante da trama. Foi "m,anchada" por uma espécie de amancebamento forçadfo com um homem rico. Mais tarde, quando sai da província a que ele a ahavia preso para viver na capital, vai tornar-se de mulher-presa, espécie de puro objeto de uso sexual, em mulher-predadora, aquela que provoca escândalos e tem uma corte de de cretinos ao seu redor. É difícil levar a sério a esta altura da nossa história a noção de pureza, de mulher impura como aquela que manteve relção fora do casamento. No caso de Natássia isto, no entanto, ganha uma outra dimensão quando cai a ficha de que ela foi sucessivamente estuprada ao longo dos anos. Este grande desastre é tornado uma espécie de pecado: a vírtima passa a ser culpada - e sente-se culpada - pelo mal que lhe foi imposto. De novo a palavra culpá não se aplica: é um mundo terrível que torna Natassia impura, não há culpa, a não ser em uma visão tribal da lei divina; mas ainda assim há o veto às possibilidades vitais de grandeza, ou de santidade talvez na ética meio alucinada com que Dostiévski confronta seus personagens. Natassia foi tornada impura, mas emboras não tenha responsabilidade nenhuma por isso, é, ainda assim, impura. Esta espécie de essencialismop em que a substância parece ser uma coisa tão poderosa que aterra até mesmo a ideia de transitório: você é o que é agora, e isto toma sua substância a pionto de obliterar suas ciscunstâncias e possibilidades.
Esta substância do mal todo-poderosa é o que obriga à confissão, mas é também o que impede o perdão. Natássia, que tem consciência profunda de que mesmo tendo sido perdida, é perdida, está fora da esfera do perdão e da felicidade, mesmo nas mãos de um messias torto como Mishikin. Sua esfera, como de resto a de todos os outros personagens, é o desespero, esta queda da graça que Dostoiévski tornou o leitmotiv "sério" (porque haverá também aqueles ridículos e gozosos) das suas narrativas. Um homem irremissível é talvez uma antecipação de Kafka("Ah sim, caro amigo, há salvação de sobra no universo, mas não para nós", ou algo assim que Max Brod relata). Mas, ao contrário de Kafka, que via nesta impossibilidade de remissão uma espécie de absoluto humano - um ponto de inflexão em que o humano surgia mais puro, mais cru, mas também indestrutível exatamente por não contar mais com o divino, Dostoiévski vê apenas esterilidade. O fato do perdão não ser possível - apesar de desejado, apesar do mal ser reconhecido, apesar da confissão ser praticada - é como um sinal da ira divina, injusta aqui cojmo a condição humana.
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